• Home
  • About
  • Contact
  • Disclaimer
  • Privacidade
SAVED POSTS
Tuesday, July 28, 2026
  • Esfera Pública
  • Economia Política Internacional
  • Ensaios
  • Inteligência Artificial
  • Instituições
  • Pesquisa
Nenhum resultado encontrado
Ver todos
  • Esfera Pública
  • Economia Política Internacional
  • Ensaios
  • Inteligência Artificial
  • Instituições
  • Pesquisa
Nenhum resultado encontrado
Ver todos
Nenhum resultado encontrado
Ver todos
Polarização ou Governança? A Verdade Sobre a Seleção Estratégica de Testemunhas no Congresso dos EUA

Polarização ou Governança? A Verdade Sobre a Seleção Estratégica de Testemunhas no Congresso dos EUA

Carlos Souza by Carlos Souza
2026-06-26
in Política & Instituições
0
588
SHARES
3.3k
VIEWS
Summarize with ChatGPTShare to Facebook

Desde a “Revolução Republicana” de 1995, liderada por Newt Gingrich, a narrativa dominante sobre o Congresso dos Estados Unidos tem sido a de uma polarização galopante. A sabedoria convencional sugere que a guerra partidária não apenas contaminou o processo de votação, mas também a própria infraestrutura da produção legislativa: as comissões.

Em meu novo manuscrito, “Control of the Information Agenda: Legislative Cartels and the Strategic Selection of Witnesses in U.S. Congressional Hearings”, desafio essa percepção ao investigar se os partidos majoritários realmente transformaram as audiências públicas em mero teatro político, ou se a necessidade institucional de governar ainda prevalece sobre o sectarismo.

O Dilema Teórico: O Partido ou a Instituição?

A literatura clássica do século XX, representada por figuras como Shepsle, Weingast e Krehbiel, sempre tratou as comissões como guardiãs da especialização. Para eles, esses órgãos serviam para reduzir a assimetria de informação, atuando como agentes neutros do plenário. Contudo, teorias mais recentes, como a do Cartel Partidário Condicional (Aldrich et al., 2022), pintam um quadro diferente: em tempos de alta polarização, o partido majoritário captura a agenda não apenas para controlar votos, mas para manipular a própria informação que chega ao debate.

A minha pesquisa testa a validade dessa “captura informacional”. A premissa é sedutora: se um partido age como um cartel, ele deveria priorizar testemunhas que validem sua “marca” política (sinalização ideológica) em detrimento de especialistas técnicos, especialmente em cenários de Governo Dividido, onde a obstrução ao Executivo se torna a moeda corrente.

Metodologia e Surpresas Empíricas

Utilizando um vasto conjunto de dados sobre audiências na Câmara dos Representantes (pós-1995) e analisando a composição das testemunhas — segregando burocratas e acadêmicos (perfil técnico) de representantes de interesses e sindicatos (perfil político) —, os resultados foram contraintuitivos e desafiam o cinismo habitual sobre a política americana.

Ao contrário do que a teoria do Cartel Partidário sugeriria, a alternância de poder e a configuração de Governo Dividido não alteraram estatisticamente a busca por expertise técnica.

Duas descobertas se destacam:

  1. O Mito Anti-Ciência: Os dados indicam que, ceteris paribus, o Partido Republicano tende a convocar uma proporção marginalmente maior de analistas técnicos do que os Democratas. Isso desmantela a caricatura de um comportamento uniformemente avesso à expertise técnica por parte da legenda conservadora no âmbito das comissões.
  2. A Capacidade Importa Mais que a Ideologia: O fator mais robusto para prever a presença de especialistas em uma audiência não é a cor do partido no comando, mas o tamanho do staff da comissão. Comissões com mais recursos humanos conseguem filtrar e atrair melhor o conhecimento técnico, independentemente da polarização externa.

A Resiliência da “Agenda Obrigatória”

O que esses dados nos dizem sobre o funcionamento real do Legislativo? Eles sugerem que, apesar do ruído estridente da polarização na mídia e no plenário, a “casa de máquinas” do Congresso — as comissões — opera sob uma lógica de governança.

Como apontam Adler e Wilkerson (2007), existe uma “Agenda Obrigatória” (orçamentos, reautorizações de programas) que precisa andar. Meus achados corroboram a tese de que a inércia institucional e a necessidade técnica de legislar funcionam como um dique de contenção contra a politização total da informação. A seleção de testemunhas reflete mais as rotinas jurisdicionais e a complexidade dos temas do que táticas de guerrilha partidária.

Conclusão

Este estudo é um convite para repensarmos o alcance da polarização. Embora os partidos tentem controlar a narrativa, as engrenagens burocráticas e a responsabilidade de governar impõem limites severos a esse controle. As audiências no Congresso americano, ao menos no período analisado, parecem resistir à tentação de se tornarem puramente performáticas, mantendo-se como canais vitais, ainda que imperfeitos, de especialização técnica.

O manuscrito completo, com os modelos de regressão e a análise detalhada dos dados, está disponível para leitura e comentários.

Tags: American PoliticsCongresso dos EUApolarizaçãotestemunhas
SummarizeShare235
Carlos Souza

Carlos Souza

Carlos Eduardo de Souza é pesquisador, cientista de dados e doutorando em Ciência Política na University of California, Riverside (UCR). Com formação em Administração, MBA em Finanças pelo Insper e Mestrado em Tecnologias Inteligentes & Design Digital pela PUC-SP, reúne duas décadas de experiência na interseção entre análise de dados, estratégia e métodos quantitativos — com passagem por empresas como Bayer, Serasa Experian, TransUnion e Itaú. No doutorado, suas pesquisas se concentram em política americana, economia política internacional e métodos computacionais aplicados às ciências sociais. Investiga temas como a hegemonia do dólar no sistema financeiro global, a dinâmica de poder no Congresso americano e o papel crescente da inteligência artificial na análise política. Neste espaço, traduz esse universo acadêmico para o grande público — explorando, em português e em inglês, as conexões entre poder, tecnologia e democracia no mundo contemporâneo.

Related Stories

O Dilema de R$ 4,9 Bilhões: O Fundo Eleitoral Brasileiro Financia a Expertise Técnica ou Apenas a Sobrevivência Política?

O Dilema de R$ 4,9 Bilhões: O Fundo Eleitoral Brasileiro Financia a Expertise Técnica ou Apenas a Sobrevivência Política?

by Carlos Souza
2026-06-26
0

Status: Manuscrito em Desenvolvimento | Área: Economia Política e Instituições Legislativas Nas eleições de 2022, o Brasil testemunhou um marco histórico e financeiro: o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC)...

Next Post
Estratégia e Engenharia: O Ciclo de Vida de um Projeto de Machine Learning em Séries Temporais

Estratégia e Engenharia: O Ciclo de Vida de um Projeto de Machine Learning em Séries Temporais

Siga o Nexus Discursivo

Junte-se à conversa. Política, inteligência artificial e poder — debatidos com rigor e profundidade. Acompanhe nossas análises em tempo real:

Compartilhe, comente e ajude a ampliar o debate. Cada voz importa quando o assunto é o futuro da democracia e da tecnologia.

Sobre o Nexus Discursivo

Nexus Discursivo: Política, IA e Poder

O Nexus Discursivo é um espaço editorial independente dedicado à análise crítica da política, do poder e da inteligência artificial. Aqui, ideias se cruzam, narrativas são desconstruídas e o debate público ganha profundidade. Acreditamos que compreender as forças que moldam o mundo é o primeiro passo para transformá-lo.

Recent Posts

  • As cotas raciais e a máscara que o Brasil não quer tirar
  • Frantz Fanon: o pensador que o Brasil precisa redescobrir
  • Inteligência Artificial na Segurança Viária: Previsão de Acidentes em Rodovias Federais
  • Estratégia e Engenharia: O Ciclo de Vida de um Projeto de Machine Learning em Séries Temporais
  • Polarização ou Governança? A Verdade Sobre a Seleção Estratégica de Testemunhas no Congresso dos EUA
  • O Dilema de R$ 4,9 Bilhões: O Fundo Eleitoral Brasileiro Financia a Expertise Técnica ou Apenas a Sobrevivência Política?

Categorias

  • Comunicação & Esfera Pública
  • Economia Política Internacional
  • Essays and Perspectives
  • Artificial Intelligence and Machine Learning
  • Política & Instituições

Últimas postagens

  • A máscara que o Brasil não quer tirar. Frantz Fanon e as cotas raciais: o debate que revela o racismo disfarçado de mérito. Em 14 anos de cotas, quase 2 milhões de cotistas mostraram que o ponto de partida nunca foi igual. Descubra mais na série Fanon e o Brasil. Texto completo no link na bio.
  • Descubra Frantz Fanon, o psiquiatra revolucionário que desvendou o racismo como estrutura política. Nascido em Martinica, ele expôs as contradições do colonialismo e defendeu a cura coletiva. Conheça suas ideias poderosas sobre a violência e a descolonização, ainda relevantes hoje. Acesse a análise completa no link na bio. #FrantzFanon #Racismo #Descolonização
Publicidade
  • About
  • Contact
  • Disclaimer
  • Privacidade
  • Publicidade

© 2026 Nexus Discursivo — Política, IA e Poder. Todos os direitos reservados.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Você não pode copiar conteúdo desta página

Nenhum resultado encontrado
Ver todos
  • Home
  • My Research and Production
  • About
  • Declaração de acessibilidade

© 2026 Nexus Discursivo — Política, IA e Poder. Todos os direitos reservados.

Go to mobile version
Change language to Portuguese